Greve dos Correios afeta nove estados em meio ao aumento da demanda de fim de ano
- 21 de dez. de 2025
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Trabalhadores dos Correios iniciaram, nesta semana, uma paralisação em nove estados do país, em meio às negociações do acordo coletivo de trabalho conduzidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). O movimento ocorre em unidades do Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de localidades nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
De acordo com a empresa, 12 dos 36 sindicatos da categoria aderiram à greve. Ainda assim, os Correios informaram que, nesta sexta-feira (19), aproximadamente 90% do quadro de funcionários permanecia em atividade, com agências funcionando e entregas sendo realizadas. A estatal afirmou também que adotou medidas emergenciais para assegurar a manutenção dos serviços considerados essenciais.
Na quinta-feira (18), o TST concedeu liminar determinando que pelo menos 80% dos empregados continuem trabalhando nas regiões atingidas pela paralisação. Em caso de descumprimento da decisão, poderá ser aplicada multa diária de R$ 100 mil por sindicato.
Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão o reajuste salarial com reposição da inflação, pagamento de adicional de 70% nas férias e de 250% para atividades realizadas em fins de semana e feriados, além da manutenção de benefícios já garantidos em acordos anteriores. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect) orientou os sindicatos a manterem a mobilização e rejeitar propostas que resultem em perda de direitos.
Durante audiência realizada no último dia 16, ficou definido que a proposta construída no âmbito da mediação, com validade de dois anos, deverá ser analisada em assembleias da categoria até o dia 23 de dezembro. A previsão é que, havendo consenso, o acordo seja assinado no dia 26. Caso contrário, o impasse será encaminhado para julgamento do dissídio coletivo.
A direção dos Correios destaca que a empresa enfrenta um cenário financeiro delicado, com projeção de déficit de R$ 5,8 bilhões em 2025 — o maior entre as estatais federais. Segundo a estatal, a proposta mediada pelo TST preserva benefícios históricos e representa uma alternativa viável de negociação com respaldo do governo federal.
Por outro lado, a Fentect afirma que a empresa tem adotado postura rígida nas negociações e alerta para a possibilidade de ampliação do movimento, inclusive com a deflagração de uma greve nacional, caso não haja avanços nas tratativas.



