Pernambuco enfrenta déficit em acessibilidade urbana, revela Censo IBGE
- José Augusto

- 17 de abr. de 2025
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Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, colocam Pernambuco entre os piores estados do Brasil em termos de acessibilidade urbana. De acordo com o levantamento, 65% da população urbana do estado — cerca de 4,8 milhões de pessoas — vivem em ruas que não possuem rampas de acessibilidade nas calçadas, o que dificulta a locomoção de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. O estado ocupa a segunda pior posição nacional, ficando atrás apenas do Amazonas.
Apesar de representar uma melhora em relação ao Censo de 2010, quando 97,9% da população urbana estava em vias sem rampas, os números ainda indicam uma exclusão significativa para milhares de pernambucanos.
Além da escassez de rampas, o estado também apresenta um cenário crítico no que diz respeito à qualidade das calçadas. Apenas 8,48% dos moradores urbanos vivem em ruas onde as calçadas estão livres de obstáculos como postes, buracos e construções irregulares. Isso significa que mais de 6,7 milhões de pessoas enfrentam dificuldades diárias para se locomover com segurança.
Outro ponto alarmante é a falta de arborização: mais da metade da população urbana — cerca de 3,7 milhões de pessoas — vive em ruas sem árvores, número muito acima da média nacional, que é de 33,7%. A ausência de vegetação compromete o conforto térmico e agrava os efeitos das altas temperaturas nas cidades.
A infraestrutura cicloviária também é precária. Apenas 1,82% da população reside em áreas com algum tipo de estrutura para bicicletas, como ciclofaixas ou ciclovias.
A mobilidade também é limitada pelo tipo de acesso viário. Quase 900 mil pessoas moram em ruas onde apenas carros ou vans conseguem circular, enquanto mais de 630 mil vivem em áreas acessíveis apenas a pé, de bicicleta ou moto. No Recife, essa limitação atinge 16,1% dos moradores, colocando a capital entre as cidades com maiores restrições de circulação do país.
No quesito pavimentação, embora 76% da população urbana viva em ruas asfaltadas, cerca de 1,7 milhão de pessoas ainda moram em vias sem pavimento, o que afeta diretamente a mobilidade, a drenagem de águas pluviais e as condições de higiene urbana.



